sexta-feira, 30 de abril de 2010

Entao, a Igreja adora os santos? (Segunda Parte)



Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil, Juventude, Missa do Clube do Ouvinte — Padre Roger Luis at 5:02 pm on segunda-feira, novembro 9, 2009


O culto aos Santos

A partir deste modo de compreender a santidade e os Santos é que se pode compreender corretamente o culto que a Igreja lhes presta.
O culto aos Santos é culto de louvor e gratidão a Deus, admirável nos seus Santos. Ao venerarmos um nosso irmão que foi santificado por Cristo, estamos reconhecendo a ação de Deus nele. Estamos também agradecendo a Deus por ter dado a graça àquele nosso irmão para que ele fosse aberto à ação do Espírito Santo. Lembremo-nos sempre: ao engrandecermos a obra de arte, louvamos e enaltecemos seu Autor! Quando a Igreja venera um seu filho que chegou à santidade, recorda-se sempre da frase de Paulo: “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10). Quando os cristãos exaltam as obras dos Santos, não esquecem que eles agiram pela força de Cristo, que foi o Espírito Santo do Senhor ressuscitado quem os inspirou e moveu para o bem, já que “é Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). Cumpre-se, assim, a palavra do Senhor Jesus: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candelabro, e assim ela brilha para todos os que estão na casa. Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16).
Assim, venerar um irmão que levou a sério o Cristo e seu Evangelho e que, para nós, é um exemplo de vida, é, sobretudo, reconhecer a potência maravilhosa da graça de Deus que, em Cristo, sustenta a fragilidade humana, dando-lhe a graça de viver testemunhar o Senhor Jesus.
Atenção! É errado pensar que o louvor aos Santos é dirigido a eles somente, como se eles fossem heróis pelas próprias forças. O louvor aos Santos é, em última instância, dirigido a Deus, autor e fonte da santidade dos Santos: é Ele que é admirável nos seus Santos! Um louvor que pare no Santo é errado!
E rezar a um Santo, pedir sua intercessão? Não seria ferir a mediação única de Cristo? Vejamos agora o sentido da intercessão dos Santos e como ela não fere, mas, antes, sublinha e proclama a única mediação de Cristo.
A intercessão dos Santos
A Escritura nos ensina que todos os batizados foram revestidos de Cristo e, tornando-se uma só coisa com ele, são membros do seu Corpo, que é a Igreja. Ser cristão é estar incorporado, enxertado no Senhor Jesus ressuscitado: “Todos vós, que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo… pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,27); “Vós sois o corpo de Cristo e sois seus membros, cada um por sua parte” (1Cor 12,27); “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo em Cristo” (Rm 12,27). A união nossa com Cristo é tão forte e real, tão concreta e verdadeira, que Paulo fala que o cristão é batizado (=mergulhado) em Cristo, no Cristo, dentro de Cristo: “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?… Porque se nos tornamos uma só coisa com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma só coisa com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,3-9). A vida dos bem-aventurados no céu - e também já aqui na terra a vida de cada batizado - é vida em Cristo: “A graça de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23). A ele estamos unidos como os ramos à videira, de tal modo que vivemos da sua mesma vida: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor… Permanecei em mim, como eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,1.4-5). O cristão é aquele que permanece em Cristo, que vive não mais por si mesmo, mas por Cristo. A seiva, a vida nova da qual vivem os cristãos é o próprio Espírito Santo do Senhor Jesus ressuscitado, recebido no batismo: “Aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só Espírito” (1Cor 6,17); “Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo… e todos bebemos de um só Espírito” (1Cor 12,13). De tal modo isto é verdadeiro, real, que Paulo exclamava: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20); “Para mim o viver é Cristo…” (Fl 1,23). Cristo está de tal modo presente no cristão e este é de tal modo enxertado em Cristo e nele incorporado, que fazia o Apóstolo afirmar: “A vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,2). E falar também do mistério de Deus que é “o Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1,27). Aparece assim claramente que os batizados - particularmente os que estão na Glória - são uma só coisa com Cristo, estão em Cristo, foram «con-formados» com Cristo, são membros de Cristo, que é Cabeça de todos. Não há, para aqueles que estão na Glória, outra vida que não a de Cristo e em Cristo!
Ora, o Espírito de Cristo ressuscitado em nós, fazendo-nos uma só coisa com o Senhor Jesus, suscita em nós os bons sentimentos e as boas obras: tudo de bom que pensamos e fazemos é suscitado pelo Espírito Santo em nós: “É Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). É exatamente porque cremos em Cristo, porque estamos unidos a ele e nele estamos enxertados e incorporados pelo Batismo, que podemos realizar as obras da fé, daquela fé que atua pela caridade (cf. Gl 5,6). Quando rezamos, não somos nós que rezamos: quem ora em nós, quem louva em nós e intercede em nós é o próprio Espírito do Cristo Jesus ressuscitado: “Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis e aquele que perscruta os corações sabe qual é o desejo do Espírito; pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos” (Rm 8,26-27). É por isso que, já aqui na terra, pedimos aos nossos irmãos que intercedam por nós. Dizemos uns aos outros: «Fulano, reze por mim!» O próprio Novo Testamento recomenda que rezemos uns pelos outros (cf. 2Cor 1,1; Ef 1,16; 6,19; Fl 1,4; Cl 4,12; 1Ts 1,2; 1Ts 5,25; 1Tm 2,1; Tg 5,16). Pedimos a oração de um irmão batizado porque sabemos que ele ora em Cristo, que esse irmão é uma só coisa com Cristo, já que é membro do seu Corpo e vive do Espírito do Senhor ressuscitado, de modo que já não é ele quem ora, mas é Cristo que ora nele como Mediador único entre nós e Deus.
Com nossos irmãos que estão na Glória acontece o mesmo. A morte não nos separa do amor de Cristo nem dos irmãos, não rompe a comunhão entre os que estão com o Senhor, no céu, e nós, peregrinos: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida… nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39). No Senhor todos vivem e permanecem unidos no amor. Se a morte interrompesse uma tal comunhão em Cristo isso significaria que ela - a morte - seria mais forte que o amor, que a vida e que a vitória do Senhor Jesus. Mas, não! Cristo é mais forte que a morte e o inferno: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” (1Cor 15,55). Desse modo, nossos irmãos que estão com Cristo (cf. Fl 1,23) na Glória, são plenamente membros do Corpo do Cristo, vivem do Espírito do Cristo ressuscitado e participam da única mediação de Cristo! É Cristo quem intercede neles, de modo que a intercessão dos Santos, amigos de Cristo, nada mais é que uma admirável manifestação do poder e da fecundidade da única mediação do Senhor Jesus. Ele é o único Mediador, que inclui na sua mediação única todos os que são uma só coisa com ele por serem membros do seu Corpo. A mediação do Senhor Jesus não é mesquinha: é única, mas não é exclusivista: ela inclui todos nós: não é exclusiva, mas inclusiva! Caso contrário, nem nós, que vivemos ainda neste mundo, poderíamos rezar uns pelos outros, já que isso é também uma forma de mediação.
Assim, é em Cristo, como seus membros, no seu Espírito, que os Santos intercedem ao Pai. A intercessão dos Santos nada mais é que uma manifestação da única intercessão do Senhor Jesus, que, sendo rico e potente, suscita em nós a capacidade de participar da sua única mediação. Os nossos irmãos na Glória são aquela nuvem de testemunhas de que fala a Epístola aos Hebreus: “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo o fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, com os olhos fixos nAquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus” (Hb 12,1-2). São eles que, a exemplo dos primeiros santos mártires, participando da mediação única do Senhor Jesus, e nessa única mediação, suplicam em nosso favor, como membros de Cristo: “Vi sob o Altar as vidas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado. E eles clamaram em alta voz: ‘Até quando, ó Senhor Santo e Verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?’” (Ap 6,10).
Certamente, como aquela que mais esteve unida a Cristo Senhor neste mundo e na glória, a Virgem Maria participa de um modo todo especial dessa única mediação de Cristo…
Fica claro que uma coisa é certíssima: a Igreja de Cristo, ao ensinar que os nossos irmãos do céu, os Santos, intercedem por nós, mostra o quanto a única mediação de Cristo é fecunda e eficaz… de tal modo fecunda e eficaz, que nela nos inclui e dela nos faz participantes! Não se trata, portanto, nem de concorrência, nem de competição e nem mesmo de uma mediação paralela à mediação única de Cristo. Também não se trata de uma escadinha de mediadores: os Santos seriam mediadores junto a Cristo e Cristo é o Mediador junto ao Pai. Não! Há um só Mediador! Todos os outros apenas participam da única mediação do Cristo Jesus, nossa Cabeça e nossa santificação. Se participamos desta mediação única é exatamente porque, pelo Batismo, recebemos a plenitude de Cristo: “Nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e reconciliar por ele todos os seres” (Cl 1,19). E da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça! (Jo 1,16).

Atenção!


É errado pensar que os Santos intercedem por nós informando a Deus sobre nossas necessidades - como se Deus não as conhecesse! - ou convencendo Deus a mudar sua opinião. É errado e herético pensar que a Virgem Maria e os Santos intercedem por nós a Deus de modo independente de Cristo ou ao lado de Cristo! A Virgem e os Santos intercedem por nós em Cristo, como membros do seu Corpo e em união com a santíssima vontade do Senhor Jesus, nosso único Intercessor junto do Pai!

Para completar tudo quanto aqui foi dito, é muito útil transcrever trechos da declaração de um grupo de teólogos anglicanos, luteranos, reformados (todos protestantes!), ortodoxos e católicos reunidos em nome de suas igrejas na ilha de Malta, nos dias 8-15 de setembro de 1983:

1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (cf. Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo.

2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7,25).

3. O fato mesmo de que, no céu, à direita do Pai, Cristo roga por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram unidos em Cristo pelos laços da fraternidade. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27).

4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de informar Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se, sim, de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno.

5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função especial de ordem cristológica… Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Quaisquer que sejam nossas diferenças confessionais (=de religião), não há razão alguma que impeça de unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a liturgia celeste, e de modo especial com a Mãe de Deus.
Este documento é assinado por teólogos e pastores luteranos, anglicanos, reformados, bem como por teólogos ortodoxos e católicos!

Conclusão: no culto e oração dos Santos nada há que fira a unicidade da mediação, da santidade e da glória de Cristo! É ele, Autor da santidade, que é grande e admirável nos seus Santos!


Dom Henrique - Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracaju-SPwww.domhenrique.com.br

Entao,a Igreja adora os santos? (Primeira Parte)



Arquivado em: Avivamento, Espiritualidade, Grupo Vence Brasil, Juventude, Missa do Clube do Ouvinte — Padre Roger Luis at 2:56 pm on sexta-feira, outubro 30, 2009

” Desde há muito tempo acusa-se a Igreja católica de desprezar as Sagradas Escrituras e tornar sem eficácia a única mediação de Cristo Jesus com o culto à Virgem Maria e aos Santos.
Também neste ponto - como naquele referente às imagens - não há fundamento algum numa tal acusação.
É verdade que somente Jesus Cristo salva: “Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4,11). Ele é o único Mediador entre Deus, nosso Pai, e a humanidade: “Há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, que se deu em resgate por todos” (1Tm 2,5). Nele nós temos a bênção da graça e da salvação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda a sorte de bênção espirituais, nos céus, em Cristo. É pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados… (Ef 1,3.7). Este, é, portanto, um ponto central claríssimo da fé católica: só Cristo salva e somente Cristo intercede por nós junto do Pai. Não há outra mediação fora da mediação do único e absoluto Salvador, Cristo Jesus.
Como, então, justificar o culto aos Santos? Como compreender que se fale em intercessão dos Santos e, particularmente, da Virgem Maria?

O que é «um Santo»?

Antes de tudo, é importante compreender bem o que é um Santo.
Segundo a Escritura, somente Deus é Santo (cf. 1Sm 2,2; Sl 22,3; Is 6,3). A palavra hebraica «santo» (=kadosh) significa «separado». Deus é o Outro, o que está para além de tudo, o que é diverso de toda a criação, é aquele que não pode ser confundido com as criaturas, aquele que não pode ser manipulado pelo homem. Deus não está entre as criaturas: ele é o sustento de tudo, é o fundamento de tudo: “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Porque é Santo, Deus é completamente livre, soberano, glorioso. A Igreja, fiel à Palavra de Deus, afirma, na Oração Eucarística II: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda a santidade!”
Sendo o Filho eterno do Pai, e Deus com o Pai, Jesus Cristo é o Santo de Deus (cf. Mc 1,24; Lc 1,35; At 3,14…). A cada Domingo a Igreja dirige-se, na Missa, ao Senhor Jesus com estas palavras: “Só vós sois o Santo, só vós o Senhor, só vós o Altíssimo, Jesus Cristo, com o Espírito Santo na glória de Deus Pai” (Oração do Glória). Sendo o Santo, ele nos santificou com a sua cruz e ressurreição, pois, ressuscitando, derramou sobre nós o seu Espírito Santo, Espírito de santificação: “Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: «Recebei o Espírito Santo…» (Jo 20,22). Ao sermos batizados, recebemos o Espírito Santo do Cristo ressuscitado, que nos dá uma nova vida: a vida do próprio Deus. É esta vida nova que nos faz “Santos”: “Vós vos lavastes, fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito Santo” (1Cor 6,11) “Nele (em Cristo) ele (o Pai) nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1,4). Por isso mesmo São Pedro afirma na sua carta: “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade” (1Pd 2,9).
Assim, aqueles que foram batizados em Cristo receberam a santidade de Cristo porque receberam o Espírito Santo de Cristo, Espírito santificador. Por isso mesmo muitas vezes São Paulo chama todos os cristãos de “Santos” (cf. 1Cor 1,2; 2Cor 1,1; Ef 3,8; Fl 4,21…). No entanto o cristão, sendo santo, ou seja, santificado por Cristo, deve viver como santo. Escrevendo aos Coríntios, o Apóstolo assim se referia aos batizados: … àqueles que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos… (1Cor 1,2). Em outras palavras: já santificados pelo Batismo, devemos cada vez mais nos abrir à ação do Espírito de santificação, que é o Espírito do Cristo ressuscitado. Vejam bem: a santidade é um fato já concreto para todo batizado: somos santos, fomos santificados e, ao mesmo tempo, é um processo, um desafio, um programa de vida: tornarmo-nos, por nossas ações e atitudes, aquilo que já somos. Assim, há santos que vivem como santos e há santos que vivem como pagãos! Só os primeiros são fiéis à graça recebida no Batismo!
Portanto, “santo”, para a Igreja, é todo cristão! Contudo, damos o nome de «santo» de um modo todo especial àqueles cristãos, irmãos nossos - canonizados ou não -, que já estão na Glória. Eles foram abertos à graça de Cristo, eles disseram “sim” sem reservas à salvação trazida por Jesus; aceitando completamente Jesus como Salvador, eles não resistiram à ação do Espírito Santo, eles viveram seu Batismo até às últimas conseqüências! O «santo» é um pecador como nós, que lutou para levar Cristo a sério e, procurando ser fiel à graça de Cristo, viveu o Evangelho. Por isso mesmo é apresentado pela Igreja como exemplo para todos nós. É este, aliás, o sentido da canonização: a Igreja propõe um filho seu como modelo de vida cristã e de seguimento a Cristo. Se alguém é «santo», é por graça de Deus, que o santificou. O «santo» não é um super-homem que, se santificou com suas forças! Ele recebeu a santidade de Cristo, foi aberto à ação santificante do Espírito do Senhor Jesus. Dizer que alguém é santo significa dizer que foi santificado por Cristo! “Pela graça de Deus sou o que sou: e sua graça a mim dispensada não foi estéril” (1Cor 15,10). Assim sendo, quando a Igreja afirma que alguém está na Glória e o chama «santo» deseja mesmo é mostrar o quanto a graça salvadora de Cristo é eficaz, o quanto a força do Senhor Jesus, nosso único Salvador, é capaz de transformar a nossa miséria humana e nos elevar à santidade. É Cristo que é admirável nos seus santos. O santo é uma obra prima da graça de Deus que opera através de Cristo Jesus! Admirando a obra prima, exaltamos o seu Autor! Como a própria Liturgia da Igreja reza: “Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e sem vosso auxílio ninguém é forte, ninguém é santo…” (Coleta da Missa do XVII Domingo Comum).
Fica claro, portanto, que a santidade dos que estão na Glória revela e enaltece a força e eficácia da santidade do Cristo Jesus e a ação santificadora do seu Espírito Santo, para a glória do Pai. O «santo» não é um concorrente da santidade de Deus, mas, ao contrário, é fruto dessa santidade divina.
Aí podemos entender o quanto é tola e errada aquela história: “a Igreja santificou fulano de tal”… A Igreja, coitada, não santifica ninguém: só Cristo santifica! A própria Igreja precisa da santidade de Cristo e é santificada pelo seu Espírito Santo! Na canonização, o que a Igreja faz é reconhecer, oficialmente, a santidade que a graça de Deus concedeu àquela pessoa! Só Deus é Santo e fonte da santidade; somente Deus é o autor de toda a santidade!

Atenção!

Seria errado e herético considerar os santos como pequenos deuses, com uma força que viria deles mesmos, sem que tivessem recebido tudo de Cristo por pura graça do Senhor! A santidade deles brota única e totalmente de Cristo Jesus, doador do Espírito Santo! Os santos não são uns orixazinhos, não são duendizinhos, não são espíritos superiores, não são uma energia positiva; são irmãos nossos que, tendo sido fiéis ao seu Batismo, já estão na Glória, na comunhão do Deus de Amor e, nele, rezam por nós!”
D. Henrique Soares da Costa (Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracajú-SE)www.domhenrique.com.br

terça-feira, 27 de abril de 2010

Devemos combater a ira!


IRA - Um pecado capital


1º. Natureza. Ira é um movimento desordenado da alma que se revolta contra o que não lhe apraz. Muitas vezes, é o resultado do orgulho que se julga melindrado, e quer desforçar-se. Mas é também uma paixão proveniente da índole, e que a vontade custa a senhorear.
Nem sempre alcança, a ira, o mesmo grau de violência. Por isso distinguem-se:
a) a impaciência;b) a raiva;c) o arrebatamento, que se derrama em berros e desaforos;d) o furor, que se traduz por insânias, acessos próximos da loucura;e)a vingança, que é o desejo cultivado de prejudicar a quem nos desagradou.
Há certa cólera que não é pecado. Vem a ser, apenas, justa indignação, quando se manifesta dentro de limites razoáveis: na hora azada, contra quem a merece, e com intensidade prudente. Um pai de família se mostrará oportuna e eficazmente irritado com o comportamento mau do filho, e infligirá uma correção enérgica que produza frutos de emenda. Um superior de comunidade, no desempenho do seu cargo, castiga publicamente uma ofensa à regra. A cólera, então, não é vício, é virtude. Na Sagrada Escritura, temos muitos fatos destes. Moisés, ao deparar com o bezerro de ouro, deixa-se arrebatar pelo furor da ira santa, e quebra as tábuas da Lei (Ex XXXII, 19). Deus, muitas vezes, ira-se contra os pecadores (Sl CV, 40). Nosso Senhor lança mão do chicote, e tange para fora, irado, os vendilhões do Templo (Mt XXI, 12). Zanga com os Fariseus, que andavam espiando, para ver se haveria de curar, em dia de Sábado, o enfermo com a mão ressequida (Mc III, 5). São cóleras santas que têm justificativa no fim almejado: debelar ou fustigar o mal, e emendar os pecadores.
2º. Efeitos. A ira gera as disputas, as quisílias, doestos e vitupérios, brados e invectivas, rancor, ódios, assassínios e demandas.
3º. Malícia. Quando a cólera provém da índole, do gênio, é culpa venial só, a não ser que se desmande em crises, e seja deliberada. Quando inclui o desejo desnorteado de vingança, ofende a justiça ou a caridade, e então é pecado grave.
4º. Remédios. Para amordaçar e refrear a cólera, é preciso:
a) atalhar logo o primeiro ímpeto;b) lembrar-se do preceito do Senhor: "Amai vossos inimigos ... fazei o bem aos que vos odeiam" (MT V, 44);c) meditar o exemplo do divino Mestre, Cordeiro manso e humilde de coração.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Muito mais que pedofilia




As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca… A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de São Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.
As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.
O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.
Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!
Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?
As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse São Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!
A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.
E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.
Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!


Cardeal Odilo Pedro Scherer é Arcebispo da Arquidiocese de São Paulo/SP, repassado ao Discípulos de Emaus por Dom Augusto Rocha, Bispo Emérito da Diocese de Floriano.
Fonte: Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. 11. 04.2010.

Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna. João 6, 68

Sexta-feira da 3ª semana da Páscoa
Hoje a Igreja celebra : S. Jorge, mártir, +303, Santo Adalberto de Praga, bispo, mártir, +997

Ver comentário abaixo, ou carregando aqui São Padre Pio de Pietrelcina : «Quem realmente come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna»

Evangelho segundo S. João 6,52-59.

Então, os judeus, exaltados, puseram-se a discutir entre si, dizendo: «Como pode Ele dar-nos a sua carne a comer?!» Disse-lhes Jesus: «Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim. Este é o pão que desceu do Céu; não é como aquele que os antepassados comeram, pois eles morreram; quem come mesmo deste pão viverá eternamente.»
Isto foi o que Ele disse em Cafarnaúm, ao ensinar na sinagoga.
Da Bíblia Sagrada

Comentário ao Evangelho do dia feito por : São Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho

Cartas do Padre Pio

«Quem realmente come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna»

- Padre, sinto-me tão indigno de comungar! Sou realmente indigno!
- É verdade que não somos dignos de semelhante dom; mas uma coisa é participar deste alimento em pecado grave, outra coisa é não sermos dignos dele. Nenhum de nós é digno dele; mas é Jesus que nos convida, é Ele que deseja que O recebamos. Sejamos, pois, humildes e recebamo-Lo com o coração cheio de amor.

- Padre, por que chora quando comunga?

- Se a Igreja proclama «Não desdenhou tomar o seio da Virgem» ao falar da encarnação do Verbo no seio da Imaculada, que dizer de nós, pecadores? Mas Cristo disse: «Se não comerdes mesmo a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós». Aproximemo-nos, pois, da mesa da comunhão com muito amor e com grande respeito. Que todo o nosso dia sirva, primeiro para nos prepararmos, depois para darmos graças por esse dom.

Fonte: Dom Augusto Rocha - Bispo Emérito da Diocese de Floriano

terça-feira, 20 de abril de 2010

PADRES PEDÓFILOS E A PEDOFILIA: PONDERAÇÕES

Antes da nova postagem, peço desculpa aos leitores do nosso blog pela ausência, provocada pela perda da senha e login de acesso. Hoje consegui recuperá-los e, graças a Deus, estamos de volta.
Peço que leiam com atenção o artigo abaixo de Dom Henrique sobre a posição que devemos tomar em defesa dos nossos bons padres que pagam pela imagem de quem comete crimes.
Amamos nossa igreja católica porque ela é Santa, e precisamos estar cientes de tudo o que nela acontece. Leiam e repassem.



Dom Henrique Soares da Costa (Bispo auxiliar da Arquidiocese de Aracaju).


“Caro Leitor, em algumas partes do mundo – também no nosso País – têm surgido escândalos provocados por padres pedófilos (há também outros vários escândalos ligados à vida sexual dos sacerdotes).

Na Europa, sobretudo, a imprensa e certos ambientes da Igreja ditos progressistas vêm procurando associar esses tristes e inaceitáveis casos ao celibato. Eis algumas ponderações que gostaria de fazer:1. Há, sim, na Igreja, sacerdotes pedófilos. É triste, é vergonhoso, mas é verdade. Eles não estão nela porque a Igreja os promove e os acolhe... Há sacerdotes pedófilos, como há pastores evangélicos pedófilos, pais de família pedófilos, professores pedófilos, juízes pedófilos, médicos, psicólogos, militares e jornalistas pedófilos... Nem mais nem menos! Aliás, como já acenei, a grande maioria dos abusos de menores dá-se no recinto do próprio lar.Quando era padre, acompanhei muitos desses dramas dolorosos e de difícil resolução...Então, por que aparecem muito mais os casos de padres pedófilos? Por vários motivos. Eis alguns:

(1) É muito mais difícil para um sacerdote se esconder;

(2) os casos com padres são mais divulgados pelo potencial de escândalo e de atrair atenção;

(3) há o contato de muitos padres com jovens coroinhas e jovens educandos nas escolas católicas; (4) em alguns países há uma indústria mafiosa para arrancar dinheiro da Igreja com casos de pedofilia verdadeiros ou forjados...

2. Associar a pedofilia ao celibato é pura má fé! Uma coisa é totalmente independente da outra. Um pedófilo pode mascarar-se por baixo do ministério sacerdotal como pode encapar-se num casamento! E são tantos! O celibato é um dom de Deus para a Igreja e, que fique bem claro: não há nenhuma propensão do Papa e do episcopado de suspender a disciplina atual, que exige o celibato dos sacerdotes! A crise de vocação não é motivada pelo celibato, como também a crise de fidelidade não tem no celibato sua causa! A crise é de fé, não de celibato!

3. É preciso deixar claro o seguinte: o atual processo de secularização, de banalização do sagrado, da redução do sacerdócio a uma profissão e do padre a um fazedor de pastoral - esquecendo a ontologia mesma do sacerdócio, isto é, a essência, o ser mais profundo do padre, que pelo sacramento da Ordem torna-se um homem de Deus, um outro Cristo, um homem inteiramente consagrado “às coisas de Deus” -, é isto, precisamente, que leva ao relaxamento e ao enfraquecimento da vida moral de tantos padres.

Há uma tendência, até mesmo em certos setores da Igreja, de ver o padre de modo secularizado, tirando-lhe todo o sentido sagrado e místico. Até na nomenclatura, quantas vezes, em tantos ambientes teologicamente doutos, evita-se chamar o padre de sacerdote para denominar-lhe simplesmente presbítero... É de fé católica e é indispensável recordar: o padre deve ser um homem de Deus, um homem sagrado e consagrado, um homem cujo modo de ser e de viver deve trazer claramente as marcas do Eterno!

4. Nunca nos esqueçamos: somos pecadores! O padre, como qualquer outro ser humano, é membro de uma humanidade ferida, com falhas, com más tendências, com fraquezas. Os padres são assim, os casados são assim, a humanidade toda é assim! O cristianismo ensina claramente que todos somos marcados pela ferida do pecado original.

Não somos certinhos, bonzinhos, cheirosinhos! Somos lavados por Cristo, salvos por Cristo, recuperados, curados pela cruz de Cristo!Não é por acaso e não é jogo de cena que ao início de toda Missa comecemos por bater no peito pedindo perdão.

O pecado é uma realidade concreta, forte, próxima, presente na nossa existência. Contra o pecado é necessária a vigilância, a oração, a mortificação, uma profunda adesão ao Senhor.

Nunca nos deveríamos assustar com o pecado, mas olhar para o remédio, que é Cristo, e dele fazer uso!Sempre houve padres com más tendências na área sexual-afetiva. Muitos desses conseguiram superar e integrar suas misérias com uma vida espiritual séria e devota. Com a oração, a sincera busca da direção espiritual, a confissão e os demais meios que a Igreja nos oferece para buscar a santidade; é possível ir superando as feridas e quedas e ser um santo sacerdote, um verdadeiro homem de Deus.

O padre, o cristão não são uns impecáveis, mas pessoas a caminho no seguimento de Cristo, olhando para ele, nele colocando a esperança, nele procurando o perdão e nele crescendo dia por dia, até o Dia eterno.O problema é que com a secularização e o relativismo atuais, tudo parece permitido, tudo é jogado na conta da misericórdia de Deus, tudo é resolvido psicologicamente! Penso que um dos maiores problemas para uma verdadeira e leal vivência do celibato dos padres é, precisamente, a secularização, isto é, a mundanização; a perda da consciência e dos sinais de uma clara identidade que mostra que o sacerdote é um homem de Deus.

Muitos na Igreja alegam que os sinais de uma identidade (no agir, no rezar, no modo de viver, no vestir, no modo de se divertir...) são uma capa para esconder insegurança e vida dupla... Não concordo de modo algum! Há, realmente, aqueles, que se prendem de modo exagerado e patológico a sinais externos, como as vestes eclesiásticas e paramentos, descuidando-se de outros aspectos importantes e até mesmo do cultivo de uma piedade profunda, madura e integrada, de um zelo pastoral verdadeiro, de uma simplicidade de vida, sem ostentações ou luxos e sem excessivas preocupações materiais.Mas, daí, a se afirmar, como é costume hoje em muitos meios da Igreja, que valorizar o sagrado do sacerdócio é sinal e sintoma de hipocrisia, de carreirismo, de exibicionismo, de autoafirmação e mascaramento, é realmente um passo muito comprido e serve somente para justificar o outro extremo: a secularização, a vida sem piedade, uma compreensão do sacerdócio de modo simplesmente humano, funcional e mesmo profissional...

5. Vivemos num mundo complexo, paganizado, em crise de valores... Os jovens que entram no seminário não vêm do céu, mas do mundo. É fácil tirar o menino do “mundo”, mas tirar o “mundo” do menino, como é difícil. Aqui a urgência de uma formação seminarística que dê mística sacerdotal sólida, madura e profunda aos candidatos ao sacerdócio, também a necessidade de conhecer a dinâmica afetiva dos seminaristas.

É preciso ter bem claro: um rapaz que não consiga ser casto no celibato não pode, de modo algum, ser padre! Um rapaz com tendências pedófilas tem que ser imediatamente mandado embora do seminário. Do mesmo modo, um sacerdote que se mostra incapaz de viver seu celibato deve ser aconselhado a deixar o exercício do ministério e, no caso de pedofilia, deve ser realmente excluído do exercício do sacerdócio: deve ser demitido do estado clerical.

Quanto à tão propalada condescendência de Igreja com padres pedófilos no passado, é bom não esquecer que não se tinha nem de longe ideia da extensão e da gravidade da situação dessas pessoas pedófilas... O problema da pedofilia na sociedade é uma realidade que emergiu há poucas décadas atrás e ainda nos surpreende a todos!

6. É bom também que se saiba que na Igreja há o Direito Canônico: ninguém pode ser condenado sem uma acusação formal, sem ser antes advertido, sem o direito de defender-se. Não é justiça e é contra a caridade promover pura e simplesmente uma caça às bruxas. Como também é pecado grave de omissão por parte da autoridade eclesiástica simplesmente fechar os olhos para os escândalos e delitos dos sacerdotes: é necessário tomar corajosamente as medidas cabíveis!

7. Uma coisa importante: a infidelidade de muitos não pode deixar na sombra a fidelidade heroica e silenciosa de muitos e muitos tantos que, no dia-a-dia, sem aparecer em jornais, dão um esplêndido testemunho de amor a Cristo e aos irmãos. Que ninguém duvide: a grande maioria de nossos padres vive com alegria e amor a Cristo o seu celibato e é digna de todo o respeito e toda a confiança de nossa parte!Os católicos devem ter muito cuidado com uma imprensa em geral anticristã e sensacionalista, preocupada não com a verdade, mas com o escândalo. Quanto já se tentou incriminar o Santo Padre dos mais variados modos! Quanto já se deturpou atitudes e palavras do Papa! Que inferno fizeram os meios de comunicação com o caso da menina do aborto de Alagoinha, em Pernambuco... Até quando seremos ingênuos, achando que os meios de comunicação transmitem a mais pura verdade, sem escusos interesses por trás da notícia?

8. Uma última observação: nos momentos de glória e beleza da vida da Igreja (como, por exemplo, no sepultamento de João Paulo II) é fácil estufar o peito e declarar-se católico. O católico verdadeiro, o verdadeiro filho da Igreja, é aquele que nos momentos de dor e de escândalo, quando a Igreja é apedrejada, chora com sua Mãe católica, crava os olhos em Cristo, reza e permanece fiel.Para este, vale a palavra do Salvador: “Fostes vós que permanecestes comigo em todas as minhas tribulações!” Nunca esqueçamos: o mundo não está preocupado com o bem da Igreja ou das vítimas da pedofilia, mas com o escândalo, o sensacionalismo e a imposição hipócrita do politicamente correto. É só!”Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.Fonte: From: jacksonjufra@hotmail.comDate: Mon, 12 Apr 2010 20:33:36 +0000Subject: [JUFRABrasil] FW: Padres pedófilos e a pedofilia: ponderações --Postado por FREI FERNANDO,OFMConv. no A CAMINHO DA ETERNIDADE em 4/20/2010 12:32:00 AM

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O uso da música evangélica na liturgia católica















Pelo Pe Adair José

Começo a minha reflexão com alguns questionamentos: podemos fazer uso da música evangélica nas celebrações litúrgicas da Igreja Católica? Mesmo com um repertório de séculos, os grupos de animação litúrgica da Igreja Católico teriam necessidade de alçar mão do repertório musical de outras denominações cristãs que possuem teologia e práticas de culto diferentes? Espero com este humilde ponto de vista ajudar nossos grupos de animação musical a despertar para o debate sobre o assunto.
O Concílio Vaticano II, inegavelmente, enriqueceu a Igreja com a proposta do esforço ecumênico em vista da unidade dos cristãos. O ecumenismo vem ganhando relevância a cada ano que passa. O saudoso Papa João Paulo II dedicou sobremaneira ao diálogo ecumênico e intereligioso com os cristãos da reforma e oriundos dela e com as grandes religiões não cristãs, respectivamente.
Se por um lado o ecumenismo é um dado positivo, por outro temos que ter prudência e sabedoria necessárias para não atropelar o processo ou mesmo, como católicos, perder a nossa identidade. O Papa Paulo VI atinou para isso várias vezes. Devemos, sim, dedicar com alegria à prática ecumênica, mas sem abdicar dos princípios de coesão da expressão doutrinária e litúrgica da Igreja Católica. Devemos acolher e dialogar com o diferente, mas sem perder os elementos que nos sedimentam como católicos.
O ecumenismo mal entendido ou mal intencionado traz em si o perigo do relativismo religioso. As pessoas que internalizam dentro de si a mentalidade relativista aceitam tudo o que cada religião professa como sendo a verdade ou parte dela. É comum ouvirmos: “toda religião é boa”. No entanto temos que admitir que nem toda expressão religiosa é boa. Nem tudo que se expressa religiosamente pode ser aceito como verdade revelada por Deus.
Essa visão de que “toda religião é boa” está sobremaneira presente no imaginário de nosso povo. Mas sabemos que se por um lado é possível um sólido e frutuoso ecumenismo com as denominações cristãs bem alicerçadas, por outro temos que admitir que os movimentos protestantes livres, incluindo aí o pentecostalismo sectário com caráter de seita, são totalmente fechados ao diálogo ecumênico e radicalmente se opõem à Igreja Católica e a outras denominações cristãs. Sobre esses quero me referir nesta reflexão, no que tange à música.
Uma cantora pentecostal e sectária, disse publicamente que tem ojeriza de saber que os “católicos usam a música dela para adorar um pedaço de pão”. Confesso que fiquei meditativo sobre tal afirmação e descobri que muitos grupos de música de nossas paróquias incorporam nos seus repertórios músicas de gênero gospel, as vezes sem saber da sua origem. Alguém começa a cantar música gospel nas celebrações litúrgicas e outros vão aderido a ponto de muitos católicos dizerem que os evangélicos estão cantando nossas músicas, quando na verdade é o contrário.
Acredito que devemos caminhar para um ecumenismo sadio que possa nos dar liberdade para, num futuro ainda por vir, fazer o intercâmbio de músicas que venham ajudar a animação de encontros, grupos de oração e devocionais. Utilizar a música gospel na liturgia católica é um ato de desmerecimento ao repertório de quase dois mil anos de genuínas músicas litúrgicas e teologicamente adequadas, confeccionadas para esse fim. Música gospel não goza de amparo litúrgico e muito menos retratam a fidedigna teologia que solidificam as bases da dogmática católica.
Precisamos urgentemente resgatar a música católica que brotou do coração orante de tantos homens e mulheres que ao longo da História da Igreja nos legaram um patrimônio musical que transcende o tempo porque celebra o Mistério do Ressuscitado mediante os sinais sacramentais da liturgia.
Nossos grupos de animação musical precisam buscar a auto estima católica e valorizar o patrimônio musical que temos. A música pentecostal protestante pode ser até apreciável quanto a certas harmonias e conteúdos, mas por questão de princípio não pode ocupar o lugar da música litúrgica que a sabedoria católica produziu e protagonizou ao longo de dois milênios.
Mesmo que algum católico desavisado cante músicas evangélicas ou mesmo às utilizem nos seus repertórios e gravações, não significa que teremos que utiliza-las em nossas atividades litúrgicas. Convido os grupos de animação a renunciar tais práticas na liturgia sob pena de manquitolá-la com conteúdos musicais inadequados, com títulos a saber: “Fico feliz em vir em tua casa”, “Segura na mão de Deus”, “Glória, Glória, Aleluia”, “Tua Palavra....”, “Quão grande és tu”, etc. Amemos nossa Igreja Católica e sua maravilhosa liturgia. Amém!!!

Adair José Guimarães
Publicado no Recanto das Letras em 15/11/2007
Código do texto: T737729

Para ajudar na sua opinião a respeito, seguem algumas postagens de comentários:


07/04/2010 18:08 - Marta Portela
Como católica e participante de grupo de liturgia concordo plenamente que temos muitas músicas apropriadas... mas também concordo que temos muitas músicas que não são nada "interessantes" principalmente para muitos daqueles cristãos católicos que só vão para a MIssa aos domingos. Pra eles é mais tocante as atuais evangélicas. Como resgatar esses "cristãos de missa"? Com uma música empolgante, que revigore a fé... Quem canta reza duas vezes... É claro que cada gesto, cada momento na Missa tem um significado. E, graças a Deus, temos muitas músicas com conteúdos e melodias maravilhosas. Acho que devemos preservar a história de Milênios... mas também devemos nos atualizar e fazer com que a Missa seja um local pleno de Oração, seguindo ritos mas também deixando que a naturalidade e a realidade de cada lugar faça parte de todo o contexto. Aqui ainda temos locais que nem instrumentos temos... às vezes é só no gogó... Ainda mais se formos cantar músicas que não sejam conhecidas... ou sejam "chatas", aquelas que nem no coral se aguenta... e a folha de cantos... há lugares que não se tem condições de fazê-la! Não acho que é desmerecer... Será que não é hora de repaginar as gravações das músicas liturgicas...? Se a música é prória ou não eu não sei, mas qual o motivo de as igrejas evangélicas estarem atraindo tantos fiéis aos seus templos? Fico muito triste quando entro na minha Igreja e tem bancos vazios e olho as estruturas faraônicas dos evangélicos abarrotadas de gente? Às vezes acho que não estamos nos preocupando com a ovelha desgarrada... Ah! Tenho 32 anos e ainda não tive a oportunidade de aprender a tocar nenhum instrumento, mas até que canto um pouquinho, o suficiente para a celebração. Já estou mostrando para o meu filho a necessidade de uma pessoa para evangelizar através da música na nossa comunidade. Ah! Tenho vários cds em casa, tanto católicos quanto evangelicos... E posso garantir que as crianças gostam dos mais animados! Marta Boa Vista - RR

05/04/2010 12:26 - Tarcísio Lourençon
Olá, sou musico atuante na Igreja Catolica em Mairinque-SP, me interesso muito sobre esse assunto, mas gostaria de saber mais... Na Diocese de Osasco em São Paulo, ameaçam retirar aqueles musicos que usarem musicas nao indicadas na liturgia, de fato entendo a necessidade, mas vemos muitas vezes que as musicas criadas para liturgia, não agragam aos gostos comuns, devemos lembrar que a maioria das pessoas ficam de braços cruzados sem entender a minima, assim não participando da cerimonia, e usando musicas mais populares a interesse maior da assembleia, participando e atraindo mais aos fieis. Criam-se musicas, "mal humoradas", sem vida, apenas pára canto coral, orgão, instrumentos mais classicos, sendo que o certo era acompanharmos a evolução musical, instrumental, e popular, evitando assim a mudança de religião por conta do que mais atrai, ou seja a "usica é a alma do negocio"

06/03/2010 20:09 - Romeu Antoni Boettcher
Quanto a musica liturgica:O Sacrossanto Concilio afirma: "a Musica Liturgica é um tesouro que deve ser preservado" enquanto catolicos temos a obrigação de descobrir este tesouro e, assim não precisaremos utilizar musicas de outra religioes em nossas celebraçoes.

27/02/2010 07:38 - Jacques Heinsen
Também concordo que deveríamos evitar músicas das seitas e também já ouvi muitas coisas com tom ofensivo, mas ainda assim se o Padre Marcelo coloca em seu repertório eu confio nele pois ele dá ênfase ao culto cristão correto que promove a imagem do menino Jesus e a de nossa Senhora. Mas pessoalmente desejaria que evitassem pois as nossas músicas sacras cantadas desde o segundo século e que são cantadas na semana santa e na missa do galo, foi copiadas por ele 1500 anos depois e eles acham que foram eles que a criaram. Isso é um absurdo. Quando Martinho Lutero criou sua teoria só havia as católicas, quais músicas seus prelados cantavam? Então vamos promover mais nossas músicas e hinos e caprichar na hora de tocar pois quando bem instrumentada, as músicas santas, não há pra ninguém. Que a paz de cristo e o amor de Maria estejam com vocês.

04/02/2010 10:59 - Marcelo Ferreira Nascimen
O que seria dos consumidores se só existisse a Qualy? Será que ela seria tão boa? e o que dizer se só existisse o OMO? Parece uma comparação esdruxula mas é verdade. A concorrência faz as empresas melhorarem e se atualizarem em benefício do consumidor. Creio que se só existisse a igreja Católica, as missas ainda seriam em Latim o padre conduziria a missa de costas para o público e talves não existissem os ministérios de louvor(Digo, da forma que existe hoje). A reforma protestante influenciou muito a igreja católica, essa é minha opinião, mesmo que muitos nunca reconheçam isso. Sobre as músicas gospel serem ministradas nas missas, não sei se é certo ou errado,pois eu sou evangélico. Mas é notório como a música católica tem melhorado muito, depois que os músicos católicos tiveram maior contato com a música evangélica. Eles têm sofrido da influência do gospel confesso que ja ouvi música católica pensando que era gospel. Sobre:"Uma cantora pentecostal e sectária, disse publicamente que tem ojeriza de saber que os “católicos usam a música dela para adorar um pedaço de pão”." Eu ouvi falar sobre esse fato supracitado mas somente no Universo católico e essa suposta declaração nunca foi de fato provada. Por isso não acho correto ficar propagando um fato em que não se pode provar. A chamada cantora sectarista em questão seria Aline Barros. Mas sinceramente não creio que ela daria tal declaração pois sabe que tem um grande público no meio católico.

1/12/2009 03:57 - Sérgio Luiz De Gennaro
Caro Pe. Adair José, O senhor tem argumentos contundentes. Eu,que me considero um cristão-católico ortodoxo,aprecio algumas músicas protestantes,como "Anjos de Deus"(c/Pe Marcelo),"Vou seguir os passos de Jesus"(c/a cantora não-católica Cassiane).Vejo no sr. o zelo pelas nossas músicas e,principalmente,por nossa Liturgia. A declaração abjeta da tal cantora neo-protestante, me causa repulsa,e claro a certeza que o protestantismo,além de suprimir sete livros da Bíblia,ainda riscou vários versículos dos "remanescentes",como por ex.Mt 16,18 e 26,26-28 ,dentre inúmeros outros. É sempre bom ler uma exortação bem fundamentada e que nos leve à reflexão. Abraços, Na Paz de Cristo, Sérgio Luiz

17/11/2009 14:16 - Ritinha do Sagrado Coraçã
Sou Católica desde o meu nascimento e agora sou por convicção. Amo ser Católica. Mas acho muito lindas algumas músicas evangélicas e penso que não devemos abrir mão dos nossos valores, da nossa liturgia e dos nossos talentos católicos. São bênçãos de Deus os nossos Padres cantores, os nossos jovens e religiosos que louvam a Deus através da música. Tocar algumas músicas evangélicas na Igreja Católica não significa perder a nossa identidade. Significa uma abertura para um possível diálogo entre cristãos, pois é exatamente o que Jesus Cristo rogou ao Pai em João 17,21: "Pai, quero que todos sejam um." O tanto de denominações de Igrejas diferentes se dizendo cristãs, já caracteriza uma falha, um erro grave na nossa unidade de cristão. Retomar esse diálogo, buscar uma aproximação através da música é algo divino, fruto da ação do Espírito Santo no meio de nós. Vamos pensar pelo lado da ação evangelizadora do Espírito Santo de Deus, que tudo sabe. Pois no "final", só haverá um só Rebanho e um só Pastor - Jesus Cristo e nós. Nós e Jesus Cristo. A Igreja Católica permanecerá em pé desde o princípio porque foi fundada por Cristo e permanecerá em pé eternamente, pois foi Cristo que assim profetizou a Pedro, "tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela..." Mt 16,18 Busquemos a Cristo por uma espiritualidade real e concreta, baseando-nos na Palavra dele, nos ensinamentos dele de Cristo. Da irmã em Cristo: Ritinhascj

12/11/2009 08:59 - Ana Paula
Adorei o texto, exatamente como eu penso. Mas me taxam de radical quando "tento vetar" musicas evangélicas... E confesso que como sou minoria tenho que na maioria das vezes aderir a musica evangélica. Confesso que algumas eu até gosto,ouço... mas o problema é que muitos Católicos deixam de comprar CDs Católicos ( e aprender sobre nossa musica) e ficam vidrados nas musicas e bandas Evangélicas.

01/11/2009 18:40 - clemilson belchior
querido padre nao acho inadequada a musica evangelica porque esta louvando a DEUS

01/10/2009 21:23 - Waldir Geraldo de Rezende
Dom Adair, venho acompanhando seus escritos, e concordo com a sua orientação nesta questão da música litúrgica. Nossas belas e comoventes canções ficam esquecidas e escutamos em nossas Igrejas coisas parecidas com o que vemos nas propagandas de certas emissoras de TV. Isso não é ecumenismo. Passa muito longe de qualquer coisa edificante para qualquer um dos lados religiosos. Fazemos com o cântico deles o que não gostamos que façam com os nossos. Frei Geraldo, mc

01/10/2009 11:15 - Maria Rute
Eu faço parte da liturgia a 14 anos , canto nas missas ,nós temos material um preparo para celebrar a missa, não tem nescessidade de colocar musicas evangelicas , acho que falta entendimento um preparo por parte destes celebrantes, eu sou leiga mais o pouco q ue entendo acho que não devemos misturar as coisas , sei que Jesus é um só . precimos ter cuidado zelo e sabedoria com as coisas de Deus, na fazer oque está na moda, porque a missa tem toda preparaçaõ tudo tem que ser seguida na parte da leitura com amusica , agente vive advento , tempo comum ,quaresma,e a melodia a letra tem ser de acordo com o tempo, estes tipos de informçaõ muitos grupos não tem, por isso fica assim, falta preparo ensinamento.

04/08/2009 16:36 - Luciana
Olá, infelizmente noto que pastores, padres, fiéis, católicos, protestantes etc. estão caminhando mais para um embate entre si do que necessariamente para a reflexão da palavra de Deus. Questiona-se tudo, se pode, se não pode, se é pecado, se é do mundo, se é secular, e... esquece-se da essência, do que verdadeiramente importa - nosso coração e o que nele contém. Cada dia mais me desanimo em seguir uma religião, simplesmente vejo um grande 'cabo de guerra' entre todas elas - o que me entristesse bastante. Sou católica e ouço vários artistas evangélicos, artistas mesmo,não aqueles que estão pegando uma onda no 'estrelato gospel' e tenho plena certeza de que Deus não está preocupado se vc segue x ou y, mas com o que vc faz com suas 24h, com sua experiência de vida, com seus anos de caminhada, com o tempo em que Ele te deu para que "pregasse o evangelho a toda criatura". Infelizmente estamos mais preocupados em 'salvar' o irmão da esquina, o desviado, o pecador e esquecemos de tirar a 'trave' de nossos próprios olhos. É lamentável mas... teremos respostas pra isso tudo e tenho certeza de que Deus nos dirá: "Meus filhos, quanto tempo vocês perderam..." Desculpem-me o desabafo.



domingo, 11 de abril de 2010

Os pecados contra o Espírito Santo


Catecismo Maior de São Pio X.

“Todo o que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro”. (Mt. 12,32)

“Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o sangue da aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, autor da graça!” (Hb. 10,29)

O pontificado do Papa São Pio X de 1903 a 1914 – em seu Catecismo Maior, ensinou que são seis os pecados contra o Espírito Santo:

O pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição da graça de Deus; é a recusa da salvação. Implica numa rejeição completa à ação, ao convite e à advertência do Espírito Santo.

1º – Desesperar da salvação: quando a pessoa perde as esperanças na salvação, achando que sua vida já está perdida e que ela se encontra condenada antes mesmo do Juízo. Julga que a misericórdia divina é pequena. Não crê no poder e na justiça de Deus.

2º – Presunção de salvação, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma idéia de perfeição que implica num sentimento de orgulho. Ela se considera salva, pelo que já fez. Somente Deus sabe se aquilo que fizemos merece o prêmio da salvação ou não. A nossa salvação pode ser perdida, até o último momento da nossa vida, e Deus é o nosso Juiz Eterno. Devemos crer na misericórdia divina, mas não podemos usurpar o atributo divino inalienável do Juízo.

O simples fato de já se considerar eleito é uma atitude que indica a debilidade da virtude da humildade diante de Deus. Devemos ter a convicção moral de que estamos certos em nossas ações, mas não podemos dizer que aos olhos de Deus já estamos definitivamente salvos.

Os calvinistas, por exemplo, afirmam a eleição definitiva do fiel, por decreto eterno e imutável de Deus.

A Igreja Católica ensina que, normalmente, os homens nada sabem sobre o seu destino, exceto se houver uma revelação privada, aceita pelo sagrado magistério. Por essa razão, os homens não podem se considerar salvos antes do Juízo. (Cf. 1Cor 4,5).

3º - Negar a verdade conhecida como tal pelo magistério da Santa Igreja, ou seja , quando a pessoa não aceita as verdades de fé (dogmas de fé), mesmo após exaustiva explicação doutrinária. É o caso dos hereges.

Considera o seu entendimento pessoal superior ao da Igreja e ao ensinamento do Espírito Santo que auxilia o sagrado magistério.

4º – Inveja da graça que Deus dá aos outros. A inveja é um sentimento que consiste em irritar-se porque o outro conseguiu algo de bom. Mesmo que você possua aquilo ou possa ganhar um dia. É o ato de não querer o bem do semelhante. Se eu invejo a graça que Deus dá a alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o juiz do mundo. Estou me voltando contra a vontade divina imposta no governo do mundo. Estou me voltando contra a Lei do Amor ao próximo. Não devemos invejar um bem conquistado por alguém. Se este bem é fruto de trabalho honrado e perseverante, é vontade de Deus que a pessoa desfrute daquela graça.

5º – A obstinação no pecado é a vontade firme de permanecer no erro mesmo após a ação de convencimento do Espírito Santo. É não aceitar a ética cristã. Você cria o seu critério de julgamento ético. Ou simplesmente não adota ética nenhuma e assim se aparta da vontade de Deus e rejeita a Salvação.

6º – A Impenitência final é o resultado de toda uma vida de rejeição a Deus: o indivíduo persiste no erro até o final, recusando arrepender-se e penitenciar-se, recusa a salvação até o fim. Consagra-se ao Adversário de Cristo. Nem mesmo na hora da morte tenta se aproximar do Pai, manifestando humildade e compaixão. Não se abre ao convite do Espírito Santo definitivamente.

Paz e Bem!

Fonte:
http://www.derradeirasgracas.com/2.%20Segunda%20Página/Documentártio%20da%20Igreja/OS%20PECADOS%20CONTRA%20O%20ESPÍRITO%20SANTO.htm (11/04/2010).

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Postado por FREI FERNANDO,OFMConv. no A CAMINHO DA ETERNIDADE em 4/11/2010 12:25:00 PM

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Porque o Demônio Odeia Maria


Frei Elias Vella é padre exorcista da Ilha de Malta e disse em uma de suas pregações na Canção Nova:

“Uma arma que é muito efetiva e poderosa para vencer o demônio, é Maria. O demônio treme diante de Maria. Eu agora vou dizer algo que pode chocar você um pouquinho: durante as orações de exorcismo, quando mencionamos o nome Maria para o demônio, ele se torna até mais furioso do que quando a gente menciona Jesus”.

Continua Pe Elisas: “Vou tentar explicar: eu não estou dizendo que ele tema mais a Maria do que a Jesus. O que eu estou dizendo é que ele se torna mais raivoso quando se menciona Maria do que quando se menciona Jesus. E a razão é a seguinte: ele sabe que Jesus é o filho de Deus. Ele sabe que Jesus o venceu. Apesar de ser tão orgulhoso ele sabe que precisa dobrar o joelho diante de Jesus. Mas ele não pode agüentar que Maria, uma criatura, uma criatura humana possa tê-lo vencido”.

Segue pe Elias: “Durante o exorcismo, Deus ordena ao demônio a dizer a verdade. Quando um exorcista pergunta ao demônio: “por que você treme diante de Maria”? Neste momento, Deus ordena ao demônio que responda. E que responda a verdade. E o demônio responde: “eu odeio Maria porque ela é muito humilde”. O demônio não tem medo das pessoas que ficam gritando ao tentar expulsá-lo. Ele não se impressiona com gritaria. Ele é um espírito. Não tem ouvido. Então não há utilidade nenhuma ficar gritando”.

“O demônio odeia a humildade. Ele não tem medo de gritaria, mas a humildade o apavora. Quanto mais humilde, mais ele treme. Exatamente porque ele é orgulhoso”. (Padre Elias Vella).

COMENTÁRIO

Maria mesmo disse: “manifestou o poder de seu braço: desconsertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes”. (Lc 1, 51-52)

O demônio tentou Eva, dizendo que se ela comesse do fruto proibido se tornaria igual e independente de Deus. Eva entrou na dele. Com o sonho de se tornar igual a Deus, (orgulho) comeu do fruto e depois percebeu o quanto foi enganada. Maria, ao saber que fora escolhida por Deus para ser mãe de Seu Filho, tinha todos os motivos para se assoberbar e orgulhar. No entanto, eis o que ela diz: “eis aqui a escrava do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

TOMEMOS CUIDADO! Alguns sinais de que alguém pode estar sendo movido pelo espírito do mal (orgulho) e não pelo Espírito Santo. Quando passa a afirmar:- Eu estou salvo e você está condenado.- Só eu estou certo e você está errado. - Só minha igreja salva. Fora delas todos estão condenados.

- Eu não faço nada de errado. Estou certo!- Eu não obedeço a homens. Só a Deus.

- Eu não aceito Maria. Ela é uma mulher como outra qualquer.

BRECHAS:

São espaços que podemos dar para que o demônio entre. Evitemos tê-laspecados não confessados; - falta de perdão,

- envolvimentos com práticas de superstições.

- A DESOBEDIÊNCIA É, DE TODAS, A MAIS TERRÍVEL.

Todas as chances que tivermos de obedecer, obedeçamos. Assim, o orgulho ficará do lado de fora e a humildade habitará em nosso coração.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

SERÁS INTEIRAMENTE DO SENHOR TEU DEUS




Ultimamente...
Se alastrou nesse nosso país...
uma onde efervescente de crendices e curandeirismo...
acompanhada de manjado proselitismo...
misturado com charlatanismo...
e outras formas de enganação...
E tudo isso a pretexto da chamada...
liberdade religiosa – sem questionamento...

Porém, na prática, essa liberdade religiosa...
está muito aquém do que deveria ser...
O fato é que tais crenças são usadas...
como forma de manipulação e submissão...
das mentes menos esclarecidas...
sugestionadas e perdidas...
nos labirintos dos senhores donos da mídia...

Assim enumero e chamo de não sério...
esse surto pseudo-religioso...
por causa do manipulador que está por trás...
Na mídia televisiva...
Redes que projetam fábricas de milagres...
e curas fantasiosas...
Shows da fé proselitistas...
onde o artista principal não é o Senhor...
mas o manipulador de plantão...
Filmes e novelas espiritualistas...
também fantasiosas e proselitistas...
divulgadoras de crenças ocultistas...
baseadas em espíritos e reencarnações...

Já na Mídia falada e escrita...
Programas ditos evangélicos...
onde o Evangelho não passa de objeto manipulador...
E usam ainda com a mesma intenção...
Livros, revistas, jornais, folhetos e panfletos...
para angariar novos adeptos e empreenderem seus fins...
E com isso a fé em Jesus Cristo vai se desgastando,
se deteriorando, porque o Jesus que estão pregando...
não é o Filho de Deus que morreu na cruz...
e ressuscitou para a nossa salvação...
mas é um outro Jesus, protestante ou espírita...

Então,
eis o que diz o Senhor...

“Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor,
entrará no Reino dos céus,
mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.
Muitos me dirão naquele dia:
Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome,
e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios
e fizemos muitos milagres?
E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci.
Retirai-vos de mim, operários maus!” (Mt 7,21-23).
“Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos”. (Mt 25,41b).

A respeito dos ocultistas e suas práticas,
eis o que diz o Senhor:

“Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá,
não te porás a imitar as práticas abomináveis da gente daquele terra.
Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha,
nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo,
à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos,
porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas,
e é por causa dessas abominações...
que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações.
Serás inteiramente do Senhor, teu Deus.
As nações que vais despojar ouvem os agoureiros e os adivinhos;
a ti, porém, o Senhor, teu Deus, não o permite”. (Deut 18,9-14).

E ainda:

“Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos:
não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles.
Eu sou o Senhor, vosso Deus.
Se alguém se dirigir aos espíritas ou aos adivinhos para fornicar com eles,
voltarei meu rosto contra esse homem e o cortarei do meio de seu povo.
Santificai-vos, e sede santos, porque eu sou o Senhor, vosso Deus.
Observai minhas leis e praticai-as. Eu sou o Senhor que vos santifico”. (Lev 19,31; 20,6-8).


“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.

Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos os conhecereis”. (Mt 7,13-20).
...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

--
Postado por FREI FERNANDO,OFMConv. no A CAMINHO DA ETERNIDADE em 4/07/2010 10:42:00 AM

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A Sexta-Feira Santa

Sexta-feira, 2 de abril 2010

Paixão do Senhor, 2ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Vermelha

Hoje: Dia Internacional do livro infanto-juvenil

Santos: Francisco de Paula (Eremita), Afiano e Teodósia (mártires), Maria do Egito, Nicécio ou Nizier (bispo), João Payne (beato e mártir), Leopoldo de Gaiche (beato, confessor franciscano da 1ª ordem)

Oração: Deus, pela paixão de nosso Senhor Jesus Cristo destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu a todos. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim, como trouxemos pela natureza a imagem do homem terreno, possamos trazer pela graça a imagem do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor.

Contemplando e adorando o Crucificado, elevamos nossa oração por todas as pessoas com quem o sangue de Cristo nos fez irmãos, os sofredores que prolongam, hoje, o mistério de sua cruz. Comungando do seu corpo, recebemos força para viver da esperança e da vitória que nasce da cruz. Hoje já é Páscoa: Cristo, que morre na cruz, passa deste mundo ao Pai; do seu lado brota para nós a vida divina; passamos do pecado para a vida nova da ressurreição. É a Páscoa da cruz.

I Leitura: Isaias (Is 52, 13-53,12)

Ele foi ferido por causa de nossos pecados

13Ei-lo, o meu servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. 14Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo - tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano -, 15do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram. 53,1Quem de nós deu crédito ao que ouvimos? E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor? 2Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca. Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. 3Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele.

4A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado! 5Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura. 6Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós. 7Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca. 8Foi atormentado pela angústia e foi condenado. Quem se preocuparia com sua história de origem? Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer. 9Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal, nem se encontrou falsidade em suas palavras. 10O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor.

11Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas. 12Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores. Palavra do Senhor.

Na celebração da Paixão do Senhor cantamos a confiança do Servo Sofredor, que se entregou, sem reservas, nas mãos d´Aquele que o pode livrar “do poder do inimigo e do opressor” e aguarda com ânimo forte e resistente a sua salvação. Abandonando-nos com Cristo nas mãos de Pai, cantamos a esperança da vitória de seus fiéis seguidores, os “crucificados” de nossos dias.

Salmo: 30(31), 2 e 6.12-13.15-16.17 e 25 (+ Lc 23,46)

Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito

2Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente! 6Em vossas mãos, Senhor, entrego meu espírito, porque me salvareis, Deus fiel!

12Tornei-me o opróbrio do inimigo, o desprezo e zombaria dos vizinhos, e objeto de pavor para os amigos; fogem de mim os que me vêem pela rua. 13Os corações me esqueceram como um morto, e tornei-me como um vaso espedaçado.

15A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! 16Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor!

17Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão. 25Fortalecei os corações, tende coragem, todos vós que ao Senhor vos confiais!

II Leitura: Carta aos Hebreus (Hb 4, 14-16; 5, 7-9)

Ele tornou-se causa de salvação

Irmãos, 14temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. 15Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. 16Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno. 5,7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus, por aquilo que ele sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem. Palavra do Senhor!

Evangelho: João (Jo 18, 1—19,42)

Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo

Prenderam Jesus e o amarraram

Naquele tempo, 1Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. 2Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. 3Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. 4Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: A quem procurais? 5Responderam: A Jesus, o nazareno. Ele disse: Sou eu. Judas, o traidor, estava junto com eles. 6Quando Jesus disse "sou eu", eles recuaram e caíram por terra. 7De novo lhes perguntou: A quem procurais? Eles responderam: A Jesus, o nazareno. 8Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem. 9Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito: "Não perdi nenhum daqueles que me confiaste". 10Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. 11Então Jesus disse a Pedro: Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?"

Conduziram Jesus Primeiro a Anás

12Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. 13Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. 14Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: "É preferível que um só morra pelo povo". 15Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote.

16Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. 17A criada que guardava a porta disse a Pedro: Não pertences também tu aos discípulos desse homem? Ele respondeu: Não. 18Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. 19Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. 20Jesus lhe respondeu: Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. 21Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse. 22Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote? 23Respondeu-lhe Jesus: Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates? 24Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote.

Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: "Não!"

25Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe: Não és tu, também, um dos discípulos dele? Pedro negou: Não! 26Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: Será que não te vi no jardim com ele? 27Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou.

O meu reino não é deste mundo

28De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. 29Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: Que acusação apresentais contra este homem? 30Eles responderam: Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti! 31Pilatos disse: Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei. Os judeus lhe responderam: Nós não podemos condenar ninguém à morte. 32Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. 33Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: Tu és o rei dos judeus?

34Jesus respondeu: Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim? 35Pilatos falou: Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste? 36Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui. 37Pilatos disse a Jesus: Então tu és rei? Jesus respondeu: Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz. 38Pilatos disse a Jesus: O que é a verdade? Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus e disse-lhes: Eu não encontro nenhuma culpa nele. 39Mas existe entre vós um costume, que pela páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos judeus? 40Então, começaram a gritar de novo: Este não, mas Barrabás! Barrabás era um bandido.

Viva o rei dos judeus!

19,1Então Pilatos mandou flagelar Jesus. 2Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, 3aproximavam-se dele e diziam: Viva o rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. 4Pilatos saiu de novo e disse aos judeus: Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum. 5Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: Eis o homem! 6Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: Crucifica-o! Crucifica-o! Pilatos respondeu: Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum. 7Os judeus responderam: Nós temos uma lei, e, segundo esta lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus. 8Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. 9Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: De onde és tu? Jesus ficou calado. 10Então Pilatos disse: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? 11Jesus respondeu: Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.

Fora! Fora! Crucifica-o!

12Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César. 13Ouvindo estas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado "Pavimento", em hebraico "Gábata". 14Era o dia da preparação da páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! 15Eles, porém, gritavam: Fora! Fora! Crucifica-o! Pilatos disse: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César. 16Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.

Ali o crucificaram , com outros dois

17Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado "Calvário", em hebraico "Gólgota". 18Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. 19Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: "Jesus, o nazareno, o rei dos judeus". 20Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. 21Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas "o rei dos judeus", mas sim o que ele disse: "Eu sou o rei dos judeus". 22Pilatos respondeu: O que escrevi, está escrito.

Repartiram entre si as minhas vestes

23Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo. 24Disseram então entre si: Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será. Assim se cumpria a escritura que diz: "Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica". Assim procederam os soldados.

Este é o teu filho. Esta é a tua mãe

25Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: Mulher, este é o teu filho. 27Depois disse ao discípulo: Esta é a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.

Tudo está consumado

28Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a escritura se cumprisse até o fim, disse: Tenho sede. 29Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30Ele tomou o vinagre e disse: Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. (Na celebração todos se ajoelham um por um instante)

E logo saiu sangue e água

31Era o dia da preparação para a páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. 33Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 35Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. 36Isso aconteceu para que se cumprisse a escritura, que diz: "Não quebrarão nenhum dos seus ossos". 37E outra escritura ainda diz: "Olharão para aquele que transpassaram".

Envolveram o corpo de Jesus com aromas, em faixas de linho

38Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus - pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. 39Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. 40Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. 41No lugar onde Jesus, foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 42Por causa da preparação da páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus. Palavra da Salvação!

Cristo, Verdadeiro Cordeiro Pascal

A leitura da Paixão segundo João Constitui o modo privilegiado de acesso ao mistério pascal, que neste dia revivemos, sobretudo como morte do Senhor.

Jesus morre no momento em que, no templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da páscoa (19,31); a sua imolação é uma imolação "real", um sacrifício realizado uma vez por todas, porque a vitima espiritual" tornou inúteis as vítimas materiais. Outros pormenores completam o quadro: a Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do seu lado traspassado jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o "verdadeiro Cordeiro pascal": ele é a "nossa Páscoa" imolada (cf 1 Cor 5,7). "Verdadeiro ,porque e a realidade daquilo que os sacrifícios antigos exprimiam: a salvação recebida e esperada, a aliança com Deus e a inserção em seu desígnio. Esta descrição não é uma novidade; os profetas, e especialmente o Segundo Isaias (2~ leitura), descrevem o Servo do Senhor no momento em que realiza sua missão de libertar o povo dos pecados e de torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação "para todos".

A leitura da Paixão segundo João Constitui o modo privilegiado de acesso ao mistério pascal, que neste dia revivemos, sobretudo como morte do Senhor.

Jesus morre no momento em que, no templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da páscoa (19,31); a sua imolação é uma imolação "real", um sacrifício realizado uma vez por todas, porque a vitima espiritual" tornou inúteis as vítimas materiais. Outros pormenores completam o quadro: a Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do seu lado traspassado jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o "verdadeiro Cordeiro pascal": ele é a "nossa Páscoa" imolada (cf 1 Cor 5,7). "Verdadeiro ,porque e a realidade daquilo que os sacrifícios antigos exprimiam: a salvação recebida e esperada, a aliança com Deus e a inserção em seu desígnio. Esta descrição não é uma novidade; os profetas, e especialmente o Segundo Isaias (2~ leitura), descrevem o Servo do Senhor no momento em que realiza sua missão de libertar o povo dos pecados e de torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação "para todos".

O dramático diálogo com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade, neste momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide sua morte e o condena.

Não seria completa a compreensão do mistério de Jesus se não contemplássemos também, como o Apocalipse de João, o Cordeiro glorioso, que está diante de Deus com os sinais das suas chagas, dominador do mundo e da história (Ap 5,6ss); o Cordeiro que se imolou por amor da Igreja e para o qual a Igreja tende, cheia de amor. Na cruz se iniciaram as núpcias do Cordeiro, que terão sua realização plena na festa do céu (cf Ap 19,7-9).

 

Celebração Da Paixão Do Senhor

Neste dia, "em que Cristo, nossa Páscoa foi imolado" (1 Cor 5,7), toma-se clara realidade o que desde há muito havia sido prenunciado em figura e mistério; a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava.

Com efeito, "a obra da Redenção dos homens e perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas suas obras grandiosas no povo da ANTIGA Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição de entre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério este pelo qual, morrendo, destruiu a nossa morte ,e ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na Cruz que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja”.

Ao contemplar Cristo, seu Senhor e Esposo, a Igreja comemora o seu próprio nascimento e sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo, efeitos que hoje celebra em ação de graças por dom tão. [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]

O sentido da liturgia de hoje

O rito da apresentação e adoração da cruz vem como conseqüência lógica da proclamação da paixão de Cristo. A Igreja ergue diante dos fiéis o sinal do triunfo do Senhor, que havia dito: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu sou” (Jo 8, 28)

Enquanto apresenta a cruz, o celebrante canta por três vezes: “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo”. A assembléia, cada vez, responde: “Vinde, adoremos!”. Durante a procissão da adoração, entoam-se cânticos apropriados.

Comunhão

Embora não haja celebração eucarística, os fiéis podem comungar das hóstias consagradas na missa da quinta-feira santa. Mesmo que seja feita fora da missa, a comunhão é intima união com Cristo que se oferece por nós em sacrifício ao Pai. Durante a comunhão, pode-se escolher um cântico apropriado à circunstância.

Via Sacra
 

Os peregrinos de Jerusalém percorriam com emoção os caminhos seguidos pelo Senhor na sua paixão. Há alguns séculos o povo cristão o percorre espiritualmente, seguindo uma grande cruz e venerando catorze estações.

Faz-se uma breve meditação das dores de Jesus em cada estação, mas não é determinada nenhuma oração particular e tampouco um título para cada estação. Mais do que a crônica dos acontecimentos, contemplamos o mistério de amor e doação de Jesus e de sua Mãe, e procuramos participar intimamente de seu sacrifício espiritual.

Cristo crucificado é, de fato, a revelação de Deus, Pai que ama os homens, e manifesta a sua força na fraqueza e na falência dos empreendimentos humanos. E é também a revelação do homem; só é homem verdadeiramente quem dá a vida pelos outros e por Deus. A vida se realiza no amor. A meditação sobre a paixão e morte de Jesus deve ter uma única conclusão: fazer na vida de cada dia aquilo que ele fez. É a conclusão de são João: "Cristo deu a vida por nós; portanto, nós devemos dar também a nossa vida pelos irmãos" (1 Jo 3,16).

É aconselhável a quem não puder participar da celebração da Paixão do Senhor, uma leitura da paixão segundo João (pp. 307ss) ou de uma das outras narrativas da paixão (pp. 261ss.), intercalada por oração silenciosa, cânticos e aclamações: "Piedade, Senhor"; "Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós"; "Povo meu"; "Nós vos adoramos e bendizemos, ó Cristo", ou outros cânticos apropriados. Pode-­se terminar com a oração dos fiéis e o pai-nosso.

A solene liturgia da Sexta-feira Santa é celebrada à tarde, pelas três horas, a não ser que por razões pastorais aconselhem horas mais tardias. Neste dia só é distribuída a Sant comunhão aos fiéis durante a solene ação litúrgica; aos doentes, que não podem tomar parte desta liturgia, pode-se levar a comunhão a qualquer hora do dia. Na Sexta-feira Santa “na paixão do Senhor” e, conforme a oportunidade, também no Sábado Santo até a Vigília Pascal, celebra-se o jejum pascal.

Fonte: http://www.mundocatolico.com.br/Evangelho/evansx020410.htm