sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Origem da Bíblia


 

Muitas pessoas se surpreendem ao saber que a Bíblia utilizada pelos protestanes é diferente da Bíblia utilizada pelos católicos. Mas qual é a diferença?
Como já escrevemos, o catálogo sagrado foi começou a ser definido pela Igreja Católica em 393 durante o Concílio Regional de Hipona (África). A Igreja desde os tempos apostólicos, utilizou a versão grega dos livros sagrados, chamada Septuaginta.
Desde o séc. IV até o séc. XVI, a Bíblia era a mesma para todos os cristãos. A diferença ocorreu durante a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero renegou 7 livros do antigo testamento (Tobias, Judite, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, trechos de Daniel e Ester) e a carta de Tiago do Novo Testamento.
Lutero renegou tais livros porque eram fortemente contrários à sua doutrina. Por causa de uma das colunas de sua doutrina a "Sola Fide" ou Somente a fé, Lutero alterou o famoso versículo "Mas o justo viverá da fé" (Rm 1,17) para "Mas o justo viverá somente pela fé", e renegava a Carta de Tiago, que ensina que somente a fé não basta, é preciso as obras. Devido ao prestígio que a Carta de Tiago tinha, Lutero não obteve sucesso ao excluir tal livro. Quanto ao Antigo Testamento, os protestantes então revolveram ficar com o catálogo definido pelos Judeus da Palestina.
Este catálogo Judaico foi definido por volta de 100 DC na cidade de Jâmnia, e estes foram os critérios estabelecidos pelos judeus para formarem seu cânon bíblico:
  • O livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel;
  • O livro teria que ser totalmente redigido em Hebraico;
  • O livro teria que ser redigido até o tempo de Esdras (458-428 AC);
  • O livro não poderia contradizer a Torah de Moisés (os 5 livros de Moisés).

Devido à enorme conversão de judeus ao cristianismo, principalmente os judeus de língua grega, é que os judeus que não aceitaram a Cristo, desenvolveram um judaísmo rabínico, isto é, um judaísmo ultra-nacionalista, para frear a conversão das comunidades judaicas ao cristianismo. Com este cânon bíblico, era proibida pelo menos a leitura de todo o Novo Testamento, que mostra fortemente o cumprimento da promessa do Messias na pessoa de Cristo.
Muitos dos originais hebraicos de alguns livros foram perdidos, existindo somente a versão grega na época da definição do cânon judaico. Isto significa que livros como Eclesiástico e Sabedoria, escritos por Salomão, não foram reconhecidos pelos judeus de Jâmnia, além de outros livros que foram escritos em aramaico durante o domínio caldeu e persa. Recentemente os arqueólogos encontraram em Qruman no Mar Morto, o original hebraico do livro Eclesiástico.
Estes livros do Antigo Testamento que não foram unânimimente aceitos são chamados técnicamente de deuterocanônicos.
Os protestantes entram então em grande contradição pois aceitam a autoridade dos Judeus da Palestina para o Antigo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Novo Testamento. Aceitam a autoridade da Igreja Cátólica para o Novo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Antigo Testamento.
Os apóstolos em suas pregações utilizavam a versão grega dos livros antigos, note que das 350 sitações que o Novo Testamento faz dos livros do Antigo Testamento, 300 também se referem aos livros deuterocanônicos.

http://www.veritatis.com.br/apologetica/solascriptura/1058-a-origem-da-biblia?utm_source=twitterfeed&utm_medium=facebook 

segunda-feira, 28 de março de 2011

Eucaristia e confissão, armas contra a tentação


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Uma grande tentação é não fazer a vontade de Deus

Tua Palavra, Senhor, é mais penetrante que uma espada de dois gumes. Toca-nos, agora, Senhor, para que Tua Palavra possa trazer a vitória sobre qualquer espírito mau que queira nos enganar.

Eu acho que todos devem saber o que os romanos faziam quando derrotavam um império ou um general. O vencedor entrava de forma triunfante em Roma. E em meio àquela entrada triunfal, o general era aplaudido e louvado. E o general derrotado era amarrado à carruagem do vencedor. E isso era o máximo de humilhação para quem que havia sido derrotado.

Se olharmos Colossenses, veremos que São Paulo usa esse mesmo fato para falar da derrota do inimigo de Deus. Já foi dito várias vezes que o demônio já foi derrotado. Não precisamos temer nada. É verdade que o maligno é como um leão que ruge à nossa volta, tentando achar uma brecha e nos devorar. Mas por que ele continua a entrar nesse campo de batalha, uma vez que já foi derrotado? A intenção dele é diminuir a força do reinado de Jesus. Satanás continua a tentar enfraquecer aqueles filhos e filhas de Deus que fazem parte do Reino de Deus. E a experiência de muitos é esta: "Por que depois que comecei a seguir Jesus tenho mais tentações, me sinto mais oprimido que antes e tenho mais crises?"

Muitas pessoas, muitos cristãos, uma vez que tomam a decisão de seguir ao Senhor pensam que vão ter uma vida mais tranquila. Mas a verdade é o contrário, pois o demônio não tem interesse em atacar os que não são seguidores de Jesus. O interesse dele é colocar obstáculos na vida daqueles que decidiram seguir o Senhor. Os cristãos são as pessoas mais atacadas. Até os santos foram perseguidos.
Seguir Jesus, num momento de entusiasmo, é fácil, mas continuar O seguindo nos momentos de sofrimento é difícil. Mas existe uma coisa, uma técnica que frequentemente o demônio usa para nos atacar: o desânimo, o desencorajamento. O inimigo de Deus virá tentá-lo quando você estiver se sentindo fraco, cheio de medos, com raiva, ansioso e triste. Ele é como um rato dentro em um duto. Você não o vê. Ele age durante à noite, esconde-se sem que ninguém o veja. Mas se você derramar uma chaleira de água quente lá onde ele está, ele vai ter de sair do buraco. Quanto mais louvamos a Deus, tanto mais o maligno não consegue suportar isso e foge.

O desânimo não vem de Deus, sempre vem do inimigo, daquele que nos faz desistir de seguir em frente.

Não temos por que temer o diabo, pois ele já foi derrotado. Ele é que tem de ter medo de você e de mim! A razão para isso é simples: nós somos filhos e filhas de Deus, herdeiros do Reino de Altíssimo. O maligno tem muita raiva, porque aquilo que foi dado a ele uma vez, agora é dado para nós. Ele tem raiva e ódio de nós por causa disso. Ele odeia a cada um de nós. E faz tudo para nos enganar, para que voltemos desencorajados e desanimados. Ele tenta nos enganar de várias maneiras.

É nosso papel lutar contra essas táticas que inimigo de Deus utiliza para nos desanimar. Outra tática usada por ele é nos apresentar meias verdades, porque o demônio é um mentiroso, enganador, trapaceiro. Ele nos apresenta algo que parece muito bom, quando, na verdade, é muito ruim.

O maligno diz que, por causa dos seus pecados, você não consegue fazer nenhuma tentativa para ser mais santo. E faz de tudo para que nós saiamos do caminho da vontade do Senhor. Muitas vezes, nós pensamos que tentações são apenas relacionadas ao sexo, à raiva, a sentimentos de ódio e vingança. Essas são grandes tentações. Mas temos de estar atentos a uma grande tentação que é não fazer a vontade de Deus. Ele ousou tentar Jesus a desobedecer ao Pai, quando O levou ao alto do monte e mostrou-Lhe as cidades, dizendo-Lhe que elas pertenciam a Ele.

Irmãos e irmãs, será uma luta até o fim de nossa vida, mas se nós usarmos as armas certas não precisaremos ter medo nenhum. A primeira arma é a Eucaristia. O inimigo treme diante do Corpo de Cristo, porque é sinal de humildade, enquanto ele luta para ter poder. Jesus Cristo quis, por um momento, aniquilar a Si mesmo, entrando nas espécies do pão e do vinho para ficar perto de nós. Uma outra arma forte contra o maligno é o sacramento da confissão, que é mais poderoso do que a própria oração do exorcismo.

http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=12262

sábado, 26 de março de 2011

Amor santifica Igreja, diz Cantalamessa na 1ª Pregação da Quaresma


Leonardo Meira
Da Redação



''O amor não é importante somente para a evangelização, mas para a própria vida interna da Igreja'', afirma Frei Raniero Cantalamessa

No roteiro de preparação espiritual durante a Quaresma, o Papa e a Cúria Romana começaram a participar nesta sexta-feira, 25, das tradicionais meditações ministradas pelo pregador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap. O tema foi "As duas faces do amor: Eros e Ágape", numa referência explícita ao tema abordado pela primeira encíclica de Bento XVI, a Deus Caritas Est.

"Com as pregações desta Quaresma, gostaria de continuar no esforço, iniciado no Advento, de trazer uma pequena contribuição em vista da re-evangelização do ocidente secularizado, o que constitui, neste momento, a preocupação principal de toda a Igreja e em particular do Santo Padre Bento XVI", iniciou o frei capuchinho.

Ele indicou que o amor é um dos âmbitos em que a secularização age de modo mais difuso e nefasto, tornando-o algo meramente "profano" e arrancando toda e qualquer referência a Deus. No entanto, o amor não é importante somente para a evangelização, mas para a própria vida interna da Igreja, para a santificação dos seus membros, defende o sacerdote.

"O amor sofre uma nefasta separação não somente na mentalidade do mundo secularizado, mas também, no lado oposto, entre os fiéis e em particular entre as almas consagradas. Simplificando ao máximo, poderíamos formular assim a situação: no mundo, encontramos um eros sem ágape; entre os fiéis, encontramos frequentemente um ágape sem eros", afirma Cantalamessa.

"O eros sem ágape é um amor romântico, mais frequentemente passional, até a violência. Um amor de conquista que reduz fatalmente o outro a objeto do próprio prazer e ignora toda a dimensão de sacrifício, de fidelidade e de doação de si. É aquele que a linguagem comum compreende, geralmente, com a palavra 'amor'. [Já o ágape sem eros] aparece como um amar mais por imposição da vontade que por íntimo impulso do coração; um colocar-se dentro de um molde pré-concebido, ao invés de se criar um próprio, irrepetível, como irrepetível é cada ser humano diante de Deus. Os atos de amor dirigidos a Deus assemelham-se, nesse caso, àqueles de certos enamorados inexperientes que escrevem à amada cartas de amor copiadas de um manual especial", ressalta.

Nessa perspectiva, se o amor mundano é um corpo sem alma, o amor religioso assim praticado é uma alma sem corpo. "No fundo de muitos desvios morais de almas consagradas - não se pode ignorá-los - há uma distorcida e contorcida concepção do amor. Temos, portanto, uma dupla razão e uma dupla urgência de redescobrir o amor em sua unidade original. O amor verdadeiro e integral está completamente fechado dentro de duas conchas que são o eros e o ágape. Não se pode separar essas duas dimensões do amor sem destruí-lo, da mesma forma como não se pode separar hidrogênio e oxigênio sem perder-se a própria água", afirma o pregador.


Reconciliação

Segundo Cantalamessa, a reconciliação mais importante que precisa acontecer entre as duas dimensões do amor testemunha-se na vida concreta da pessoa. No entanto, para isso, é preciso bem entender cada um dos conceitos e promover uma síntese, como brilhantemente explica Bento XVI na Deus Caritas Est:

"Eros como termo para significar o amor 'mundano' e ágape como expressão do amor fundado sobre a fé e por ela plasmado. As duas concepções aparecem frequentemente contrapostas como amor 'ascendente' e amor 'descendente'. Na realidade, eros e ágape — amor ascendente e amor descendente — nunca se deixam separar completamente um do outro. Quanto mais os dois encontrarem a justa unidade, embora em distintas dimensões, na única realidade do amor, tanto mais se realiza a verdadeira natureza do amor em geral. Embora o eros seja inicialmente sobretudo ambicioso, ascendente — fascinação pela grande promessa de felicidade — depois, à medida que se aproxima do outro, far-se-á cada vez menos perguntas sobre si próprio, procurará sempre mais a felicidade do outro, preocupar-se-á cada vez mais dele, doar-se-á e desejará 'existir para' o outro. Assim se insere nele o momento da ágape; caso contrário, o eros decai e perde mesmo a sua própria natureza. Por outro lado, o homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom. [...] A fé bíblica não constrói um mundo paralelo ou um mundo contraposto àquele fenômeno humano originário que é o amor, mas aceita o homem por inteiro intervindo na sua busca de amor para purificá-la, desvendando-lhe ao mesmo tempo novas dimensões" (nn. 7-8).

''O homem também não pode viver exclusivamente no amor oblativo, descendente. Não pode limitar-se sempre a dar, deve também receber. Quem quer dar amor, deve ele mesmo recebê-lo em dom''
Cantalamessa aponta que eros e ágape estão unidos à fonte mesma do amor que é Deus. Embora os textos do Novo Testamento tenham evitado a expressão eros na referência ao amor, isso não significa uma negação do amor humano; antes, foi motivado pelo fato de o termo significar, na linguagem popular da época, "mais ou menos o que indica hoje quando se fala de erotismo ou filmes eróticos, isto é, a mera satisfação do instinto sexual, um degradar-se mais que elevar-se", relata o capuchinho.


Vida consagrada

Aí surge a necessidade de se resgatar um eros para a vida dos consagrados, que correm o perigo de viver um amor que nunca desce da mente para o coração. "Se eros significa impulso, desejo, atração, não devemos ter medo dos sentimentos, nem tampouco desprezá-los ou reprimi-los. Deus nos deu o próximo para amar!". A esse respeito, é preciso ter sempre em vista que o amor pelo próximo encontra seu fundamento no Verbo feito carne, em Jesus Cristo.

"O objeto primário do nosso eros, da nossa busca, desejo, atração, paixão, deve ser o Cristo. Está aqui o ponto crucial: pensar em Cristo não como em uma pessoa do passado, mas como o Senhor ressuscitado e vivente, com o qual eu posso falar, que posso também beijar se o quero, seguro de que o meu beijo não termina sobre a estampa ou sobre a madeira de um crucifixo, mas sobre um rosto e os lábios de carne viva (ainda que espiritualizada), felizes em acolher o meu beijo", diz Cantalamessa. Segundo ele, a beleza e a plenitude da vida consagrada depende da qualidade do amor por Cristo. "Somente esse é capaz de defender dos deslizes do coração".

Por fim, o capuchinho partilhou a experiência que fez de imaginar o que diria Jesus Ressuscitado se Ele mesmo estivesse ali, em seu lugar, explicando em primeira pessoa qual era o amor que desejava de cada um:

"O amor ardente:
É colocar-me sempre em primeiro lugar.
É buscar agradar-me em todos os momentos.
É comparar os teus desejos com o meu desejo.
É viver comigo como com um amigo, confidente, esposo, e ser feliz.
É ficar inquieto se pensas estar um pouco longe de mim.
É ficar plenamente feliz quando estou contigo.
É estar disposto a grandes sacrifícios para não me perder.
É preferir viver pobre e desconhecido comigo do que rico e famoso sem mim.
É falar-me como ao amigo mais querido em todo o momento.
É confiar-te a mim ao olhar para teu futuro.
É desejar perder-te em mim como meta da tua existência".

E concluiu:

"Se parece também a vós, como parece a mim, que estais ainda distantes dessa meta, não nos desencorajemos. Temos alguém que pode nos ajudar a alcançá-la se Lhe pedirmos. Repitamos com fé ao Espírito Santo: Veni, Sancte Spiritus, reple tuorum corda fidelium et tui amoris in eis ignem accende: Vem, Espírito Santo, enchei o coração dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor".


Programa

As meditações quaresmais acontecem sempre às 9h (em Roma – 5h no horário de Brasília), na Capela Redemptoris Mater, sob a direção do pregador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

O tema das meditações quaresmais deste ano é "Sobretudo, revesti-vos do amor" (Cl 3, 14). As três sucessivas Pregações de Quaresma acontecem nos dias 1º, 8 e 15, sempre às sextas-feiras.


http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=280972