sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um evangélico diz que eu não posso rezar pelos mortos. O que vou dizer?

Muitas vezes e não somente no período de finados, somos questionados sobre o ato de rezar pelos falecidos, seja no terço, seja numa missa de sétimo dia, seja numa oração diária. A força das citações bíblicas pode nos deixar confusos se não construirmos conhecimento a respeito do assunto, por isto, como bons católicos que somos precisamos saber porquê estamos fazendo isto ou aquilo dentro da nossa igreja. E pode ter certeza, não estamos fazendo atôa.
O "Discipulos de Emaús" selecionou uma mensagem do site Veritatis Spendor, na qual um leitor, provavalmente evangélico (ou um católico confuso) faz o questionamento devidamente "embasado" em passagens bíblicas:

O leitor Guimaraes Filho questiona:

Porque orar pelos mortos, se a Bíblia nos afirma: Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Eclesiastes 9:5, Os mortos não louvam ao SENHOR, nem os que descem ao silêncio. Salmos 115:17 , Ora, Deus não é de mortos, mas sim, é Deus de vivos. Por isso vós errais muito. Marcos 12:27 , Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus. Lucas 9:60.

Prezado Guimarães Filho, a Santa Paz!

Parafraseando a expressão popular “há pessoas e pessoas”, lhe digo que há “mortos e mortos”.

No Antigo Testamento normalmente se refere aos mortos como aqueles que morreram fora da amizade com o Senhor. Estes possuem um destino diferente dos justos: irão para a habitação dos mortos para Deus:

"Este é o destino dos que estultamente em si confiam, tal é o fim dos que só vivem em delícias. Como um rebanho serão postos no lugar dos mortos; a morte é seu pastor e os justos dominarão sobre eles. Depressa desaparecerão suas figuras, a região dos mortos será sua morada. Deus, porém, livrará minha alma da habitação dos mortos, tomando-me consigo" (Sl 48,14-16).

Como se vê, o justo pede que Deus não o coloque junto com os mortos para Deus, mas o tome consigo.

Bem observaste que Deus é Deus de vivos. Os adventistas e testemunhas de Jeová crêem num deus dos mortos, pois negam que a alma humana tenha consciência após a morte, o que é totalmente falso (1).

Devemos orar pelos mortos porque nem todos aqueles que morrem na amizade de Deus (os que estão salvos) morrem completamente santificados. Estão justificados (salvos), porém não santificados. Os protestantes possuem muita dificuldade em entender a diferença entre estes dois termos, porque Lutero ensinava que eram a mesma coisa, o que não é verdade (2).

Além da confusão que ele fez, ainda promoveu a remoção de 7 livros do Antigo Testamento que ensinavam a doutrina da oração pelos mortos.

Por isso existe o Purgatório, lugar para que aqueles que morreram na amizade de Deus possam se purificar da tendência ao pecado e estarem prontos para entrar no Céu (cf. Ap 7,9).

Devemos então orar por estas almas que estão no purgatório se preparando para morar no Céu. A Graça que elas alcançam nesta santificação é o que a Igreja chama de Indulgências. São Paulo se refere a uma forma de indulgência muito praticada no início da Igreja, que era o batismo ministrado às pessoas mortas, que morreram com Fé, porém sem ter a chance de se batizar: "De outra maneira, que intentam aqueles que se batizam em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se batizam por eles?" ( I Cor 15,29 ).

O Judaísmo do período helenista também reconhecia que a estas pessoas, certas indulgências eram úteis: "Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses este benefício a um morto" (Eclo 7,37). Ainda:

"Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados: belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento; eis porque ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas" ( II Mac 12, 43-46)

Jesus confirma esta doutrina ao ensinar que há um tipo de perdão (indulgência) que se aplica após a morte: "Todo o que tiver falado contra o Filho do homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste mundo, nem no mundo vindouro" ( Mt 12, 32).

Os primeiros cristãos também sempre reconheceram o bem que é a oração pelos mortos (3).

Espero tê-lo ajudado.

Em Cristo Jesus,

Prof. Alessandro Lima.

Notas

(1) Prof. Alessandro Lima. Apostolado Veritatis Splendor: Os Mortos estão dormindo? Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4042. Desde 6/11/2006.

(2) Dr. Rafael Vitola Brodbeck. Apostolado Veritatis Splendor: O erro de Lutero. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/2881. Desde 19/7/2004.

Prof. Rui Machado. Apostolado Veritatis Splendor: A justificação, sua natureza e suas causas. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4161. Desde 18/4/2007.

(3) Carlos Martins Nabeto. Apostolado Veritatis Splendor: O CUIDADO DEVIDO AOS MORTOS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/3663. Desde 17/3/2003.

http://mercaba.wordpress.com/2007/05/15/a-oracao-pelos-mortos/.


LIMA, Alessandro. Apostolado Veritatis Splendor: LEITOR PERGUNTA SOBRE ORAÇÃO PELOS MORTOS. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4295. Desde 06/06/2007.

Um comentário:

  1. Belissima matéria, instrutiva, esclarecedora, e que nos faz ter mais e mais a garantia de que estamos na verdadeira doutrina de Cristo, fundada por Ele, amemos a Santa Igreja Católica!!!!!!!!!!

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